Um título para a eternidade – Memórias de um tricolor apaixonado

Jornalista conta sobre como comemorou lendário título do Fluminense em 1995

Nesta tarde de domingo, vários tricolores tiveram a oportunidade de ver pela primeira vez ou rever, graças ao programa “Você Torceu Aqui”, da Band, a histórica partida da última rodada do octogonal decisivo do Campeonato Carioca de 1995, quando o Fluminense,mesmo tendo três jogadores expulsos, derrotou o então badalado Flamengo, que comemorava, na ocasião, o seu centenário, por 3 a 2 para encerrar um jejum de dez anos sem títulos. Peço, nesse momento, licença à etica jornalística e apresento o meu lado torcedor da sempre grandiosa equipe verde, branco e grená para contar as memórias desse clássico que jamais acaba.

Tinha 21 anos e, por uma questão particular, não pude estar no Maracanã naquele inesquecível dia 25 de junho. Menos mal que, anteriormente, havia presenciado, in loco, o empate de 0 a 0, no qual demos um show de bola, e as vitórias de 3 a 1 e 4 a 3. Por isso, a minha frustração foi um pouco menor.

Voltemos ao jogo mais importante da vida de muitos tricolores. Amanheci aquele domingo todo paramentado, inclusive de boné. Estava em uma cidade no interior do Estado do Rio de Janeiro onde tinha uma casa de campo. Nessa localidade, havia um clube que transmitia os jogos do Estadual pela antiga Globosat, mas, atendendo a uma orientação do meu pai, fomos assistir ao Fla-Flu em uma outra casa, convidado por um amigo.

Apesar de não concordar, acabei acatando e lá fomos nós. Ao chegar na tal casa, de tricolor, só tínhamos eu, meu pai e mais dois amigos. O resto, tudo flamenguista. Estava tão tenso que, mesmo sem conhecer direito o dono, fui entrando na casa e sentei grudado na TV em um sofá. Nesse caminhar para a minha “arquibancada particular”, imaginem as piadas que escutei. Fiz-me de moco e me ajeitei.

Quando a bola rolou e vendo o chocolate que o Fluminense deu no primeiro tempo, comecei a ficar confiante. Esse sentimento de otimismo aumentou ainda mais depois de Renato Gaúcho e Leonardo abrirem 2 a 0. No segundo gol, inclusive, segundo o meu pai, pois não escutei, um torcedor do Flamengo, o qual vim a saber depois, era o dono da casa, chegou a me xingar, mandando eu sentar, uma vez que, assim como todos os tricolores do Brasil, pulavam na hora que as redes rubro-negras balançaram.

Veio o segundo tempo e o Flu, apesar de uma melhora do adversário, continuava administrando a partida. Só que Fla-Flu não é u jogo comum e surgiu aquela boma do Branco no travessão. Nessa hora, confesso, gelei e veio uma sensação de que algo viria por aí. Dito e feito. O Flamengo cresceu e, em poucos minutos, também fez dois gols, empatando a partida.

Para piorar, Lira, de uma maneira inexplicável, dá uma entrada violenta e recebe o cartão vermelho. Nessa hora, sentei no sofá e engoli o choro. Pensei comigo: “caramba, não grito campeão desde o tri estadual de 1983-1984-1985 e do Brasileiro de 1984!!! Mais uma vez”. Na mesma hora, porém, surgiu tipo uma vozinha lá no fundo que me lembrou da mágica frase do mestre Nélson Rodrigues de que “o Fluminense nasceu com a vocação da eternidade”.

Foi então que olhei para a TV e deparei-me com o Aílton avançando pela direita, dando dois dribles desconcertantes no Charles Guerreiro e chutando. A bola ia lá na bandeirinha de córner, mas ei que surge o Sobrenatural de Almeida e empurra a pelota para a barriga do Renato Gaúcho. O resto, todos já sabem.

O que não sabem foi que, nesse momento, dei um pulo, quase batendo a cabeça em um lustre no teto da sala da casa e, na sequência, comemorei dando um grito na cara de um flamenguista, que, na hora do segundo gol do Flamengo, tirou o meu boné da minha cabeça e jogou-o nas minhas pernas.

As emoções continuaram com a reta final da partida e, principalmente, o apito derradeiro do árbitro da partida, Léo Feldman. É por isso que falo sem medo, citando, mais uma vez, o grande Nélson, “O Fluminense é o maior do mundo. Isso é óbvio ululante”.

Abraços, saudações tricolores e que Deus abençoe a todos, inclusive a quem escolheu outro grande do futebol para se apaixonar. Afinal de contas, há espaço para todos (Kkkkkkkk).

 

 

 

 

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