Silvia Santana: A culpa do Flamengo

O futebol traz alegrias, tristezas e infelizmente, condolências, sendo esta última palavra, a pior das surpresas que o esporte pode vir a trazer em todos os seus enredos dramáticos e eternos.

Na sociedade, uma empresa de grande porte, tem obrigação de oferecer o máximo de segurança pra que todo ser humano tenha condições reais de trabalhar, mas no futebol, a seriedade não atende a demanda dos senhores de terno e gravata,.

Alguns clubes (pra não falar quase todos), ainda erram tirando da vida, o valor que ela tem, e utilizam internamente uma expressão maldita conhecida por todos os atletas formados na academia da vida e inclusive, também pelas torcidas: “… Eu sou raiz…”.

E de forma irresponsável, disseminam esse conceito nos corredores das agremiações e das telas de tv onde frases como essas são comuns: “…Eu sou do tempo que morava de baixo das arquibancadas…”, “..Treinei sem comer direito, sem dormir direito…”,”…Essa meninada de hoje reclama de barriga cheia. Antes eu vivia muito pior que eles e hoje estou aqui…”.

Fica então, um caráter de reflexão exaustiva e culposa. Até que ponto, se dar como exemplo de total irresponsabilidade dos clubes, motiva  um jovem a continuar vivendo em uma situação deplorável?

Infelizmente, já sabemos qual é o ponto final dessa história, e não é nada daquilo que as manchetes plantam todos os dias.

O que me faz buscar na internet e encontrar apenas elogios fartos ao Flamengo: Clube milionário, estrutura de base impecável,  não existe clube no país com situação melhor, os meninos vivem um sonho, e por aí continua a ilusão fantasiosa de que tudo é um mar de rosas.

Mas pra tristeza de todos nós, no fim trágico, nada disso é verdade. O Flamengo, a muitos anos coloca meninos da base em um local sem alvará e com mais de 30 autos de infração. Concluindo então, que o clube carioca ignorou a segurança das crianças.

E qual é o resultado desse falso glamour do futebol e da imprensa fanática? Meninos morreram com seus sonhos. Pais perderam seus filhos sem ao menos se despedir. Troca-se de forma desumana, a esperança desses jovens de ter os seus nomes gritados pelo Maracanã, pela esperança de ver todos os responsáveis por essa tragédia, presos.

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