Ricardo Timon: Onde andam os meias de criação brasileiros?

Ao longo de 56 primaveras bem vividas, jamais vi o futebol tupiniquim tão carente de meias de criação. Aliás, fato que recorre há alguns anos – que me lembre, os dois últimos genuínos criadores foram Alex (ex-Coritiba, Cruzeiro, Flamengo e equipes do exterior) e o veterano Zé Roberto, recentemente aposentado.
O futebol mundial também experimenta tal dilema, mas ainda podemos assistir aos Modrics, Raktics, De Bruynes, Hendersons e Pogbas nos premiando com algumas jogadas de verdadeiros armadores, do tipo Didi, Gérson, Zidane, Seedorf e Snejder! Pois é, o Brasil, nesta Copa da Rússia, não contou com este jogador. A prióri, quem exerceria essa função seria o Paulinho, mas a sua fase no decorrer do Campeonato Mundial não ajudou. Talvez o Arthur, que foi vendido pelo Grêmio ao real Madrid por esses dias, seja o jogador que ocupará essa lacuna, daqui pra frente – mas ainda é muito pouco, cá pra nós!
Oras, o Fluminense Football Club, time pelo qual nutro paixão desde os cromossomos dos meus saudosos pais, não poderia fugir à regra. Atualmente, o Tricolor e as demais equipes do velho e violento esporte de origem bretã, valorizam os volantes-meias, que cumprem funções um pouco distintas daqueles criadores de outrora: eles dão o primeiro combate na meiúca defensiva, constróem as jogadas desde a sua defesa, realizam uma saída de bola segura, e encostam nos meias-atacante e atacantes para penetrar nos espaços vazios, enfiam bolas mais complicadas nestes referidos espaços, e batem para a meta adversária, de fora da área.
Esta nova configuração do futebol mundial vem prevalecendo na maioria dos clubes, cada qual em seu país, e nas próprias Seleções Nacionais, todos co-optantes por um esquema tático que permita a recomposição defensiva mais rápida e constante, o menor espaço entre as três linhas – especialmente quando atacados -, e a saída para o jogo, com repetidos toques na bola, para que os deslocamentos lá na frente criem os tais espaços e oportunidades mais efetivas de ataque. Dificilmente convivemos com os lançamentos em profundidade, nesta nova versão do jogo! E o estratagema adotado para a melhor execução destas variáveis foi o 4-5-1.
No Tricolor das Laranjeiras, este papel cabe ao Jádson, que ostenta passe razoável e cai com frequência pelo lado direito do campo de ataque. Aí, o meia-atacante, neste caso o gringo Sornoza, ocupa via de regra o outro lado, o esquerdo… desta maneira o Abel (que atuava de forma um pouco antônima, num 3-5-2), e agora o Marcelo Oliveira, buscavam/buscam o equilíbrio para o bom desenvolvimento de suas propostas.
Em suma, este é um papo para demoradas reflexões, mas o tempo urge e a caravana passa. Espero ter acrescentado fatos importantes e que promovam revalidações de conceitos para futuros debates sobre um objeto de amor inegociável do povo brasileiro: o futebol, em sua essência e sabor mais puros!
Saudações eternamente tricolores!

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