A popular e democrática Copa do Brasil: suas razões de existir e sua importância

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Ontem teve início a trigésima edição do maior campeonato de futebol profissional do país (em termos de número de participantes), qual seja, a Copa do Brasil.
Criada em 1989, como forma de inserir no cenário nacional clubes de menor expressão no país, a competição deste ano vai trazer a maior premiação de todas as suas edições (algo em torno de R$ 50 milhões).
A edição de 2018 contará com a participação de 91 clubes, de todas as Federações Estaduais.
Tal característica – de extrema democracia na inclusão de participantes – nos remete à criação do Campeonato Brasileiro na década de 1970, no auge do período ditatorial.
Naquela época, a cada edição do Campeonato Nacional o número de participantes aumentava ano a ano pela antiga CBD (Confederação Brasileira de Desportos). A referida entidade, comandada pelo governo militar, colocava em prática o discurso que reinava perante o grupo político dominante na política nacional: Onde a ARENA vai mal, um clube no Nacional!
O que isso significou na prática? Em cada Estado da Federação em que o governo não gozava de popularidade aumentava-se a quantidade de clubes daquela localidade. Por exemplo, o Campeonato Brasileiro de 1979 chegou a ter 96 participantes!
Com a criação do Clube dos 13 na década de 1980 – onde os maiores clubes do Brasil se rebelaram contra a forma de disputa do Campeonato Brasileiro – nossa principal competição nacional ficou bem mais enxuta.
Porém, o charme particular de inclusão de clubes de todos os Estados do país em competições nacionais precisava ser mantido. Foi nesta oportunidade que a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) criou a Copa do Brasil, como forma de manter os duelos entre “grandes” e “pequenos” de todo o país numa competição nacional, mas com quantidade muito menor de datas.
O sistema “mata-mata”, tão apreciado pelo torcedor brasileiro, jamais deixou de ser adotado na competição, o que simplificou o ingresso da competição no calendário do nosso futebol.
Tivemos gratas surpresas ao longo desses anos como Criciúma, Juventude, Santo André e Paulista, com a revelação de grandes jogadores e técnicos, algo que dificilmente ocorreria se tivéssemos apenas um Campeonato Brasileiro restrito a 20 participantes.
Enfim, se bem explorada pela CBF, a competição sempre terá grande potencial em termos de publicidade. Tanto pela característica primordial de democracia perante todas as Federações Estaduais de Futebol, bem como o estilo de disputa “mata-mata”, que sonhamos um dia em vê-lo de volta no Campeonato Brasileiro.

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