Henrique Vogt: Guto caiu, e agora?

Desde sua chegada no Inter, Guto Ferreira nunca foi uma unanimidade. Nem mesmo durante sua sequência quase impecável de 10 vitórias em 11 jogos. Vencia, mas nem sempre convencia. Tem méritos e deméritos. Acertou a dupla de zaga (saudades, Klaus e Cuesta), impôs um padrão tático à equipe e deu sequência. Em determinado momento, recuperou Winck, Ernando e Sasha, se dando ao luxo de ter Camilo e Nico Lopes a seu dispor no banco de reservas. A cereja do bolo, sem dúvidas, foi derrotar o maior rival na briga pela título: o America-MG; escancarando a superioridade colorada nesse ambiente tão incomum.

Outrora, porém, Guto foi perdendo aquilo que conquistou. O time já não corria com a mesma vontade que se via em seus melhores momentos, somou-se a isso a queda de desempenho de jogadores fundamentais da equipe: Potker, Eduardo Sasha, Uendel. Os desfalques, sem dúvidas, contribuíram em sua queda. Leandro Damião, Rodrigo Dourado, Claudio Winck, Klaus, Cuesta, Ernando e Danilo Silva desfalcaram (e alguns ainda desfalcam) a equipe colorada em vários momentos, deixando explícitas as carências do elenco. Explícito também, ficou a falta de variação tática da equipe de Guto Ferreira. O treinador não buscou alternativas em meio a queda de rendimento da equipe. Não trocou peças, não alterou o esquema, não mexeu na maneira de jogar. Apenas assistiu seu trabalho descer ladeira abaixo, de braços cruzados, acomodado nos resultados conquistados anteriormente.

Hoje. Exatamente um turno após o tal “ultimato” dado ao treinador no início do trabalho. A situação caráter insustentável.  O padrão de jogo foi resumido a balões e cruzamentos repetitivos. O abalo psicológico foi retornando, trazendo consigo algumas gafes por parte dos jogadores e comissão, como as polêmicas declarações de W. Potker e do próprio treinador.

Apesar dos pesares, como analista de futebol. Discordo da decisão da direção colorada. A troca de comando só confirma a falta de planejamento da equipe. De certa forma, creio inclusive que tenha sido uma forma de blindagem de Roberto Melo a si mesmo, visto que com a manutenção do treinador, sua cabeça, cedo ou tarde, seria pedida pela torcida. O mais coerente seria, sim, manter Guto até o final do ano. Visto que o Internacional já atingiu virtualmente o esperado acesso, e os méritos devem ser dados sim, à comissão técnica, que cumpriu com seus propósitos. Merecia ainda, o saudoso “gordiola”, adicionar esse acesso ao currículo, tendo em vista a pressão sofrida pelo mesmo desde o início do trabalho e, não esquecendo, sua coragem em abandonar o Bahia para assumir a equipe do Rio Grande do Sul.

Como torcedor, no entanto. Comemorei a saída de Guto Ferreira, assim como tantos outros, que já não aguentavam ver a equipe nessa situação desastrosa, jogando um futebol de várzea.

O único consenso, no momento, é que Odair Hellman é o nome ideal para o momento. Não obstante, creio ainda na possibilidade de um ganho significativo de desempenho da equipe nas mãos do Odair, que aparenta ter grande carinho e respeito do grupo e, quem sabe, em sua efetivação para 2018.

3 rodadas para o fim do inferno. O Inter subirá. Só resta saber, de que forma!

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